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Síntese Monografia - Patologia
em Revestimento Cerâmico de Fachada
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FEA FUMEC - FACULDADE DE
ENGENHARIA E ARQUITETURA
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES
E PERÍCIAS
Edmundo Gonçalves Pedro
Luiz Eugênio Frateschi Corrêa Maia
Marcelle de Oliveira Rocha
Maurício Vieira Chaves
SÍNTESE DA MONOGRAFIA - PATOLOGIA EM REVESTIMENTO CERÂMICO DE
FACHADA
Trabalho monográfico
apresentado ao Curso de Pós-Graduação do CECON, como requisito
à obtenção do titulo de Especialista em Engenharia de Avaliações
e Perícias.
Orientador do Trabalho: Otávio Luiz do Nascimento
Coordenador do Curso: Marcelo Corrêa Mendonça
Belo Horizonte
2002
1 INTRODUÇÃO
O revestimento de fachadas cumpre um papel importante no desempenho global dos edifícios, não só no que diz respeito ao aspecto visual, e embelezamento proporcionado por estes, como também pelo aspecto de durabilidade, valorização do imóvel e eficiência destes.
Os revestimentos cerâmicos pela sua importância econômica ou em sua participação no mercado ocupam uma posição de destaque na construção. Os revestimentos cerâmicos, juntamente com as pinturas, são a preferência do mercado consumidor em praticamente todos os segmentos imobiliários e todas as regiões do país.
Quaisquer erros ou imperfeições no projeto e na execução das diversas etapas da construção exigem, como conseqüência, adaptações não previstas no orçamento, consertos com custos complementares e até necessidade de reconstruções completas, muito dispendiosas, e mesmo, às vezes, prejuízos que aparecem bem mais tarde, resultando até mesmo numa perícia judicial.
Em virtude dos problemas relacionados com falhas nos revestimentos, nos últimos anos, o Building Research Establishment-Scottish Laboratory foi bastante solicitado para atender a problemas nos revestimentos.
Destes estudos, cerca de 31% do total dos casos atendidos estavam relacionados a falha de aderência na interface argamassa/substrato.
O presente trabalho tem
por finalidade apresentar as patologias em revestimentos cerâmicos de
fachadas mais comuns em edificações, bem como suas causas e procedimentos
mais utilizados em suas recuperações.
2 COMPOSIÇÃO DO SISTEMA DE REVESTIMENTO

Figura 1 - Composição do sistema de revestimento
Sistema de Revestimento se Compõe de Acordo com a tabela abaixo:
|
MATERIAIS CONSTITUINTES |
DENOMINAÇÃO DA CAMADA |
|
Concreto armado Alvenaria de
blocos cerâmicos Alvenaria de
blocos de concreto Alvenaria de
blocos de concreto celular Alvenaria de
blocos sílico-calcários |
SUBSTRATO OU
BASE |
|
Argamassa de
cimento e areia, podendo ou não conter adesivos (chapisco) |
CHAPISCO |
|
Argamassa de
cimento, areia e/ou outro agregado fino, com adição ou não de cal e aditivos
químicos |
EMBOÇO |
|
Argamassa adesiva
à base de cimento, areia e/ou outros agregados finos, inertes não reativos,
com adição de um ou mais aditivos químicos |
ARGAMASSA |
|
Placa cerâmica
e argamassa de rejunte a base de cimento, areia e/ou outros agregados
finos, inertes não reativos, com adição de um ou mais aditivos químicos |
CERÂMICA
JUNTAS REJUNTAMENTOS |
Tabela 1 - Composição do sistema de revestimento
2.1 Substrato ou Base
"O Substrato ou Base é o componente de sustentação dos revestimentos, via de regra formado por elementos de alvenaria/estrutura".
2.2 Chapisco
É a camada de revestimento aplicada diretamente sobre a base, com a finalidade de uniformizar a absorção da superfície e melhorar a aderência da camada subsequente.
2.3 Emboço
É a camada de revestimento executada para cobrir e regularizar a superfície
da base ou chapisco, propiciando uma superfície que permita receber outra
camada de reboco ou de revestimento decorativo, ou mesmo se constitua no acabamento
final.
"Primeira camada de
revestimento, ou seja, a primeira demão de argamassa". (definição
da Norma NBR 7200/1982 - item 3.9)
A aderência entre argamassa de emboço e unidade de alvenaria (tijolos
e blocos cerâmicos, de concreto, etc.) é um fenômeno essencialmente
mecânico, devido, basicamente à penetração da pasta
aglomerante ou da própria argamassa nos poros ou entre as rugosidades
da base de aplicação.
2.3.1 Execução e Cuidados
2.3.2 Argamassas Normalmente Empregadas
2.3.2.1 Argamassas Industrializadas para Revestimento, para Paredes, Tetos e
Contra-pisos
São produtos industrializados, que chegam à obra acondicionados
em sacos constituídos pela mistura seca de cimentos, cal, aditivos, corantes
minerais, agregados que são preparados pela simples adição
de água.
2.3.2.1.1 Classificação das Argamassas Industrializadas
As argamassas industrializadas são classificadas pela NBR 13281/95 em
função das seguintes características:
|
Característica |
Método de ensaio |
Identificação |
Limites |
|
Capacidade
de Retenção de Água |
NBR 13277 |
Normal / Alta |
³ 80
e £
90 |
|
Teor de Ar
Incorporado (% ) |
NBR 13278 |
A B C |
< 8 8 £ e £ 18 > 18 |
|
Resistência
à compressão aos 28 dias ( Mpa) |
NBR 13279 |
I II III |
0,1 £ e < 4 4 £ e < 8 > 8 |
Tabela 2 - Classificação das argamassas industrializadas
2.4 Material de Assentamento de Revestimento - Argamassa Tradicional/Convencional e Argamassa Colante
2.4.1 Assentamento com Argamassa
Tradicional/Convencional
Para o assentamento do revestimento cerâmico com argamassa convencional,
utiliza-se argamassa de cimento e/ou cal, preparada no canteiro de obra apresentando
dosagem variável de ligante/areia.
2.4.2 Assentamento com Argamassa Colante
"Mistura constituída de aglomerantes hidráulicos, agregados
minerais e aditivos, que possibilita, quando preparada em obra com a adição
exclusiva de água, a formação de uma viscosa plástica
e aderente" . (Definição da Norma NBR 13.755 / 1996 - item
3.2).
Além de simplificar a técnica de colocação das placas
cerâmicas, dissociando os serviços de regularização
do serviço de acabamento superficial, o uso adequado da argamassa adesiva
proporciona as seguintes principais vantagens:
I. maior produtividade no assentamento;
II. manutenção das características dos materiais;
III. maior uniformização do serviço;
IV. facilidade de controle;
V. menor consumo de material;
VI. maior possibilidade de adequação às necessidades de
projeto;
VIIi. grande potencial de aderência.
2.4.3 Tipos de Argamassas
Colantes
A designação normatizada para argamassas colantes consta de algarismos
romanos, indicativos do seu tipo, a seguir:
a) Argamassa Colante Industrializada -Tipo I (AC - I - INTERIOR)
b) Argamassa Colante Industrializada - Tipo II (AC -II- EXTERIOR)
c) Argamassa Colante Industrializada -Tipo III (AC-III-ALTA RESISTÊNCIA)
d) Argamassa Colante Industrializada -Tipo III - E (AC-III-E-ESPECIAL)
Figura 3 – Colagem de contato
|
Propriedade |
Método de Ensaio |
Unidade |
Argamassa colante Industrializada |
|||
|
|
I |
II |
III |
III-E |
||
|
Tempo em aberto |
NBR 14083 |
Min |
³15 |
³ 20 |
³ 20 |
³ 30 |
|
Resistência
de aderência |
|
|
|
|
|
|
|
Cura Normal |
NBR 14084 |
Mpa |
³0,5 |
³0,5 |
³ 1,0 |
³ 1,0 |
|
Cura Submersa
em água |
|
|
³0,5 |
³0,5 |
³ 1,0 |
³ 1,0 |
|
Cura em estufa |
|
|
_ |
³0,5 |
³ 1,0 |
³ 1,0 |
|
Deslizamento |
NBR 14088 |
mm |
£ 0,5 |
£ 0,5 |
£ 0,5 |
£ 0,5 |
|
Nota: Quando
a argamassa for especificada para revestimento de piso, não há necessidade do ensaio
de deslizamento. |
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Tabela 3 – Argamassa Colante
Materiais cerâmicos ou cerâmicas compreendem todos os materiais
de emprego em engenharia (materiais de construção de engenharia)
ou produtos químicos inorgânicos, com exceção dos
metais e suas ligas, que são obtidos, geralmente, pelo tratamento em
I temperaturas elevadas, conforme ZANDONADI.
Conforme NBR -13.816, placas cerâmicas para revestimento são definidas
como sendo material composto de argila e outras matérias-primas inorgânicas,
geralmente utilizadas para revestir pisos e paredes, sendo conformadas por extrusão
ou por prensagem, podendo também ser conformadas por outros processos.
Após secagem e queima a temperatura de sinterização, na
qual começa a formação de fases vítreas, segundo
BUCHER; MULLER, adquirem propriedades físicas, mecânicas e químicas
I superiores às dos produtos de cerâmica vermelha.
2.5.1 Relações
Uso x Propriedades
A tabela 9, a seguir, apresenta a relação de uso e propriedades
|
Uso |
Exigências Específicas |
Absorção |
Abrasão |
Manchas |
Ataque Químico |
|
Fachadas |
EPU < 0,6 mm/m Isento de Gretamento |
0% a 6% |
> PEI 1 |
Classe 5 |
Classe A |
|
Hospitais |
Coeficiente de Atrito > 0,4 EPU
< 0,6 mm/m |
0% a 10% |
PEI 5 |
Classe 5 |
Classe A |
|
Garagens |
Carga Ruptura > 900N Resistência
ao Impacto EPU < 0,6 mm/m |
0% a 10% |
PEI 5 |
Classe 4 / 5 |
Classe A/ B |
|
Escadas |
Coeficiente de Atrito > 0,4 EPU
< 0,6 mm/m |
0% a 6¨% |
PEI 5 |
Classe 4 / 5 |
Classe A / B |
|
Piso Escritórios |
Coeficiente de Atrito > 0,4 EPU
< 0,6 mm/m |
0% a 10% |
PEI 5 |
Classe 4 / 5 |
Classe A / B |
|
Piso Lojas |
Coeficiente de Atrito > 0,4 EPU < 0,6 mm/m |
0% a 10% |
PEI 5 |
Classe 5 |
Classe A/ B |
|
Piscinas |
EPU < 0,4 mm/m Resistência Ao Choque Térmico |
0% a 3% |
PEI 1 |
Classe 4 / 5 |
Classe A / B |
|
Banheiros |
EPU < 0,6 mm/m |
0% a 20% |
> PEI 1 |
Classe 5 |
Classe A / B |
|
Piso dormitórios |
EPU < 0,6 mm/m |
0% a 10% |
PEI 2 |
Classe 3 / 4 / 5 |
Classe A / B |
Tabela 9 - Relações de uso x propriedades
2.6 Juntas
no Revestimento Cerâmico
2.6.1 Juntas
Antes de iniciar
a execução do revestimento, uma das tarefas obrigatórias
é o planejamento das juntas. O projeto das juntas deve levar em conta
os tipos de juntas, posicionamento, largura e material que devem preenche-las,
sendo elas classificadas em:
a) juntas de
assentamento;
b) juntas estruturais;
c) juntas de movimentação e juntas de dessolidarização;
d) juntas especiais.
2.6.1.1 Juntas de Assentamento
São
juntas entre as peças que compõe o revestimento. A necessidade
deste tipo de juntas é devida às seguintes causas:
a) Absorção
do desbitolamento das peças cerâmicas, facilitando o alinhamento.
b) Absorção de tensões geradas pelas dilatações
termo-higroscópicas sofridas pela peça cerâmica;
c) As juntas devem existir com dimensões que permitam a penetração
perfeita do material de enchimento, evitando a formação de frestas
que poderia, se tornar focos anti-higiênicos;
d) Função estética de harmonizar o tamanho das peças,
o tamanho do plano e do parâmetro e a largura das juntas;
e) Função de facilitar caso necessário a remoção
das peças.
2.6.1.2 Juntas Estruturais
São juntas já existentes na estrutura de concreto. Na mesma posição onde estiverem devem ser mantidas e com mesma largura, em todas as camadas que constituem o revestimento.
2.6.1.3 Juntas de Movimentação e de Dessolidarização
Estas juntas visam permitir a movimentação do pano cerâmico como um todo.
2.6.1.3.1 Posicionamento das Juntas
2.6.2.1 Preenchimento das Juntas e Materiais Utilizados
|
Item |
Parede interna |
Parede externa |
Piso interno |
Piso externo |
|
Norma |
NBR 13754 |
NBR 13755 |
NBR 13753 |
|
|
Cura
de base |
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